Quem pesquisa “quanto custa um divórcio em 2026?” normalmente espera encontrar uma resposta rápida. Mas, juridicamente, a resposta mais correta é: depende.
Não existe um preço único de divórcio válido para todos os casais e para todo o Brasil.
Um divórcio consensual, sem discussão patrimonial relevante, pode exigir uma estrutura completamente diferente de um divórcio litigioso com partilha de bens, filhos, alimentos, empresas, imóveis, investimentos ou patrimônio de difícil avaliação.
Além disso, existem despesas que variam de um Estado para outro, honorários advocatícios que dependem do trabalho envolvido e situações nas quais podem surgir custos adicionais com registros, documentos, avaliações ou tributos.
Por isso, antes de perguntar somente “quanto custa para se divorciar?”, é importante entender qual divórcio precisa ser realizado e quais questões precisam ser resolvidas junto com ele.
Afinal, quanto custa um divórcio em 2026?
Não existe uma resposta universal.
O custo do divórcio em 2026 pode ser influenciado principalmente por:
- modalidade escolhida para realização do divórcio;
- existência ou não de consenso entre o casal;
- necessidade de processo judicial;
- existência de filhos menores ou incapazes e situação das questões relativas a eles;
- quantidade e natureza dos bens;
- necessidade de partilha de bens;
- existência de imóveis, veículos, empresas, aplicações financeiras ou outros direitos;
- complexidade da discussão patrimonial;
- necessidade de avaliações, perícias ou obtenção de documentos;
- custas judiciais ou emolumentos de cartório;
- registros e averbações posteriores;
- eventual incidência tributária em determinadas formas de partilha;
- honorários do advogado.
Ou seja: dois divórcios realizados no mesmo ano podem apresentar estruturas de custos completamente diferentes.
Isso acontece porque o divórcio não é simplesmente a assinatura de um documento. Dependendo da situação familiar e patrimonial, será necessário analisar diversos efeitos jurídicos decorrentes do fim do casamento.
Divórcio consensual costuma ter uma estrutura diferente do litigioso
Um dos fatores que mais interferem na análise sobre quanto custa um divórcio é a existência ou não de acordo.
No divórcio consensual, ambos estão de acordo com o término do casamento e, idealmente, também conseguem definir questões relacionadas à partilha, alimentos e demais consequências da separação.
O Código de Processo Civil prevê o divórcio consensual judicial e estabelece que o acordo pode tratar da partilha dos bens, alimentos entre os cônjuges, guarda, convivência e contribuição para os filhos. A própria legislação permite que a partilha seja realizada posteriormente caso o casal não chegue imediatamente a um acordo sobre ela.
Já o divórcio litigioso ocorre quando não existe consenso suficiente e uma ou mais questões precisam ser submetidas à apreciação judicial.
Nesse cenário, podem existir manifestações processuais, produção de provas, discussão sobre patrimônio, pedidos relacionados a alimentos, recursos, avaliações e outros atos que tornam a atuação jurídica mais extensa.
Consequentemente, quando alguém pergunta “divórcio litigioso custa mais?”, a resposta não deve ser baseada simplesmente em uma tabela. O ponto relevante é que um litígio pode exigir maior quantidade de trabalho jurídico e processual.
Divórcio em cartório pode alterar os custos?
Pode.
Quando preenchidos os requisitos legais, o divórcio extrajudicial, popularmente chamado de divórcio em cartório, é realizado por escritura pública e não precisa ser homologado posteriormente pelo Poder Judiciário.
A escritura pode ser utilizada para os atos de registro e para efetivar outras providências decorrentes da dissolução do casamento. O Código de Processo Civil também determina que as partes estejam assistidas por advogado ou defensor público na realização da escritura.
É importante, entretanto, não concluir automaticamente que “divórcio em cartório é sempre barato”.
Também existem emolumentos cartorários, honorários profissionais e, dependendo da partilha, outros atos registrais ou tributários.
Os emolumentos dos serviços notariais e registrais são definidos pelos Estados e pelo Distrito Federal. Por isso, não existe um único valor nacional de cartório que possa ser informado como preço de todo divórcio extrajudicial no Brasil.
É possível fazer divórcio em cartório quando existem filhos menores?
Essa questão merece atenção porque ainda existem muitas informações desatualizadas na internet.
A regulamentação vigente do Conselho Nacional de Justiça passou a permitir a lavratura da escritura pública de divórcio consensual mesmo quando o casal possui filhos comuns menores ou incapazes, desde que as questões referentes à guarda, convivência e alimentos já tenham sido previamente resolvidas judicialmente.
Essa possibilidade está prevista na Resolução CNJ nº 35/2007, com as alterações promovidas pela Resolução CNJ nº 571/2024.
Portanto, a existência de filho menor, isoladamente considerada, não permite mais afirmar que todo divórcio necessariamente deverá tramitar integralmente pela via judicial.
É preciso analisar a situação concreta.
Honorários advocatícios fazem parte do custo do divórcio?
Sim.
A atuação de um profissional não envolve apenas apresentar um pedido de divórcio.
Dependendo do caso, o advogado de família poderá precisar analisar o regime de bens, documentos, patrimônio adquirido durante o casamento, dívidas, empresas, financiamentos, investimentos, imóveis, direitos de terceiros, alimentos, questões envolvendo filhos e a forma juridicamente mais adequada de formalizar o acordo.
O Estatuto da Advocacia reconhece os honorários decorrentes da prestação dos serviços profissionais.
Por isso, os honorários advocatícios no divórcio não podem ser corretamente definidos apenas pela pergunta “quanto custa fazer um divórcio?”.
A extensão e a complexidade do trabalho são relevantes.
Um procedimento consensual previamente organizado não demanda necessariamente a mesma atuação de um processo envolvendo disputa patrimonial extensa, medidas urgentes ou longa controvérsia judicial.
O patrimônio do casal interfere no custo?
Pode interferir consideravelmente.
Quando não existem bens a partilhar, parte da discussão patrimonial simplesmente não existe.
Quando há partilha de bens no divórcio, porém, pode ser necessário verificar quais bens pertencem ao patrimônio comum, quais são particulares, quando foram adquiridos, de onde vieram os recursos utilizados na aquisição e qual regime de bens rege o casamento.
Imóveis, participações societárias, empresas familiares, investimentos, veículos, financiamentos, bens adquiridos antes do casamento e patrimônio localizado em diferentes lugares podem exigir análises adicionais.
A regulamentação do CNJ determina, inclusive, que no divórcio extrajudicial com bens sejam diferenciados o patrimônio individual de cada cônjuge e o patrimônio comum do casal, conforme o regime de bens.
Portanto, quando alguém pergunta “divórcio com bens custa mais?”, o aspecto principal não é simplesmente existir patrimônio, mas compreender qual patrimônio existe e o que será necessário fazer para partilhá-lo corretamente.
A forma como os bens são divididos também pode fazer diferença
Sim.
Uma partilha realizada estritamente conforme os direitos de cada parte não necessariamente possui as mesmas repercussões de uma operação em que um dos cônjuges transfere patrimônio particular ao outro ou recebe parcela superior à que juridicamente lhe caberia.
A regulamentação do CNJ estabelece que, na transferência de patrimônio individual de um cônjuge para o outro ou em determinadas hipóteses de partilha desigual do patrimônio comum, deverá ser comprovado o recolhimento do tributo devido sobre a fração transferida.
A tributação dependerá das características da operação e das normas aplicáveis ao caso.
Esse é mais um motivo pelo qual fornecer um preço fechado de divórcio sem analisar a partilha pode ser inadequado.
Existem despesas depois que o divórcio é concluído?
Dependendo da situação, sim.
A sentença ou escritura de divórcio pode precisar produzir efeitos em diferentes registros.
Pode ser necessária a averbação no Registro Civil e, quando existem bens envolvidos, poderão existir providências perante registros de imóveis, órgãos relacionados a veículos, instituições financeiras, juntas comerciais ou outros cadastros.
A Resolução CNJ nº 35 estabelece que a escritura pública é título hábil para registros e para a realização de atos necessários à materialização das transferências de bens e direitos.
Assim, quando se calcula o custo total de um divórcio, não se deve olhar exclusivamente para o ato que declara o fim do casamento.
É preciso analisar também quais providências serão necessárias para que aquilo que foi decidido ou acordado seja efetivamente formalizado.
Custas judiciais são iguais em todo o Brasil?
Não.
A estrutura das despesas processuais pode variar conforme a legislação aplicável e o Tribunal responsável pelo processo.
Da mesma forma, conforme já mencionado, os emolumentos dos atos notariais e registrais são fixados pelos Estados e pelo Distrito Federal.
Por isso, uma publicação responsável sobre quanto custa um divórcio em 2026 não deve apresentar um único número como se ele representasse todo o país.
Local, modalidade do procedimento e características do patrimônio são elementos que precisam ser considerados.
Quem não tem condições financeiras pode pedir gratuidade da justiça?
Em processos judiciais, a legislação prevê a gratuidade da justiça para quem demonstrar insuficiência de recursos para arcar com custas, despesas processuais e honorários nas condições estabelecidas pela legislação.
O artigo 98 do Código de Processo Civil disciplina esse benefício e também prevê que a gratuidade pode abranger determinados atos notariais ou registrais necessários à efetivação de uma decisão judicial.
A concessão do benefício, entretanto, deve ser analisada conforme os requisitos legais e as particularidades de cada situação.
Portanto, não se deve presumir automaticamente que todo processo de divórcio terá cobrança integral de custas nem, no sentido contrário, que qualquer pessoa estará automaticamente isenta.
O que costuma tornar um divórcio mais complexo?
O preço não deve ser confundido apenas com o fato de o divórcio ser “judicial” ou “de cartório”.
Na prática, a complexidade pode aumentar quando existem, por exemplo, divergências sobre patrimônio, empresas, ocultação ou dificuldade de localização de bens, imóveis financiados, dívidas comuns, pedidos de alimentos, necessidade de medidas urgentes, discussões relativas aos filhos ou avaliações patrimoniais.
Também pode existir uma situação aparentemente simples que, após a análise dos documentos, revele questões jurídicas importantes.
Por isso, o orçamento adequado depende de uma análise prévia do caso concreto.
Dá para saber quanto o divórcio vai custar antes de começar?
É possível identificar a estrutura provável de despesas depois que o caso é compreendido.
Para isso, o advogado precisa saber, entre outros pontos:
o divórcio será consensual ou litigioso; se existem filhos; quais questões relativas aos filhos precisam ser resolvidas; se existem bens; qual é o regime de bens do casamento; como será feita a partilha; se existem imóveis, empresas ou financiamentos; e se será possível utilizar a via extrajudicial.
Somente depois dessa análise é possível verificar quais atos serão necessários.
Essa é uma abordagem mais segura do que fornecer um suposto “preço padrão de divórcio” sem conhecer a situação familiar.
Então, qual é o divórcio mais barato?
Não existe uma regra segundo a qual determinada modalidade será sempre a mais barata em qualquer situação.
Em muitos casos, resolver consensualmente as consequências do fim do casamento reduz controvérsias e evita etapas próprias de uma disputa judicial.
Mas isso não significa que todo divórcio consensual terá o mesmo custo ou que todo divórcio extrajudicial será necessariamente a solução econômica mais adequada.
Uma partilha patrimonial complexa, por exemplo, pode continuar exigindo análise jurídica detalhada mesmo que não exista conflito entre os ex-cônjuges.
A pergunta mais útil, portanto, não é apenas “qual divórcio é mais barato?”, mas “qual é a forma juridicamente adequada e eficiente de resolver este divórcio?”
FAQ — perguntas frequentes sobre quanto custa um divórcio em 2026
1. Quanto custa um divórcio em 2026?
Depende da modalidade do divórcio, do Estado, dos honorários profissionais, da existência de bens, da necessidade de partilha, das custas ou emolumentos e do grau de complexidade do caso. Não existe preço nacional único.
2. Divórcio consensual é mais barato?
Pode apresentar uma estrutura de custos menor porque tende a envolver menos controvérsias, mas isso não é uma regra absoluta. A existência de patrimônio complexo ou outras questões pode exigir trabalho jurídico adicional.
3. Quanto custa um divórcio em cartório?
Os custos dependem dos emolumentos vigentes no Estado, dos honorários advocatícios, da existência e natureza da partilha e dos demais atos que precisarem ser realizados.
4. Preciso de advogado para divórcio em cartório?
Sim. O Código de Processo Civil determina que os interessados estejam assistidos por advogado ou defensor público para que a escritura seja lavrada.
5. Ter filhos menores impede o divórcio em cartório?
Não necessariamente. Pelas regras atualmente vigentes do CNJ, a escritura pode ser realizada quando as questões relativas à guarda, convivência e alimentos dos filhos menores ou incapazes já estiverem previamente resolvidas judicialmente.
6. Divórcio com partilha de bens custa mais?
Pode exigir mais atos e análise jurídica, especialmente quando existem imóveis, empresas, investimentos, financiamentos ou divergências sobre a propriedade e divisão do patrimônio.
7. Posso me divorciar primeiro e dividir os bens depois?
No divórcio judicial consensual, o Código de Processo Civil prevê a possibilidade de a partilha ocorrer posteriormente quando não houver acordo imediato sobre os bens.
8. Existe imposto no divórcio?
O simples divórcio não deve ser confundido com uma transmissão patrimonial. Porém, determinadas formas de transferência ou partilha desigual podem produzir consequências tributárias que precisam ser analisadas no caso concreto.
9. É possível conseguir gratuidade da justiça no divórcio?
A legislação prevê gratuidade da justiça para quem preencher os requisitos legais de insuficiência de recursos. A situação deve ser examinada individualmente.
10. Como saber o custo do meu divórcio?
O primeiro passo é apresentar a situação a um advogado de família, informando se existe acordo, filhos, patrimônio, dívidas, empresas ou imóveis. A partir dessas informações é possível identificar o procedimento necessário e as despesas que provavelmente estarão envolvidas.
Conclusão: quanto custa se divorciar em 2026?
A resposta juridicamente mais adequada continua sendo: depende do caso.
Não existe um único valor capaz de responder quanto custa um divórcio em 2026 porque um procedimento consensual sem questões patrimoniais complexas é muito diferente de um divórcio litigioso envolvendo imóveis, empresas, filhos, alimentos e disputas sobre patrimônio.
Os custos do divórcio podem envolver honorários advocatícios, custas judiciais ou emolumentos cartorários, certidões, registros, avaliações e, em determinadas formas de partilha, consequências tributárias.
Por isso, anúncios ou conteúdos que apresentam um preço universal de divórcio devem ser analisados com cautela.
Antes de definir custos, é necessário saber qual procedimento pode ser utilizado, quais questões precisam ser resolvidas e quais atos serão necessários para que o divórcio e seus efeitos sejam efetivamente formalizados.
Uma análise individual do caso permite compreender essas etapas e escolher a forma juridicamente adequada de conduzir o divórcio.
Este conteúdo possui caráter informativo e não substitui a análise jurídica individualizada de um caso concreto.
Referências legislativas e bibliográficas
BRASIL. Lei nº 13.105/2015 — Código de Processo Civil. Arts. 98, 103 e 731 a 733, referentes à gratuidade da justiça, representação processual e divórcio consensual judicial e extrajudicial.
BRASIL. Lei nº 8.906/1994 — Estatuto da Advocacia e da OAB. Disposições relativas aos honorários advocatícios.
BRASIL. Lei nº 10.169/2000. Normas gerais sobre a fixação de emolumentos relativos aos serviços notariais e de registro pelos Estados e Distrito Federal.
CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. Resolução nº 35/2007, em sua redação vigente, disciplinando atos notariais relacionados ao divórcio consensual e à partilha extrajudicial.
CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. Resolução nº 571/2024. Alterações das normas aplicáveis ao divórcio consensual realizado por escritura pública.
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